
Desde que cientistas, estadistas, jornalistas, civis e militantes das causas ambientais se reúnem em conferências para debaterem as alterações nas ocorrências de eventos naturais, muito se tem especulado sobre as causas destas modificações e suas implicações futuras. Evidenciar a participação do setor industrial numa margem de conseqüências ambientais é comum. Mas outro polêmico debate acerca das possibilidades de desenfrear o agravamento dessas conseqüências também é convencional – desenvolvimento social e econômico sustentável é o atual modelo em discussão nesse processo.
O conceito de desenvolvimento sustentável se fundamenta no crescimento social, econômico e cultural da raça humana, de forma que os recursos do planeta, as espécies e seus habitats sejam preservados e as gerações futuras tenham garantia dessa preservação ecológica, segundo Relatório Brundtland (1983), da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU. Para que o crescimento destas três instâncias seja possível, portanto, o meio ambiente deve ser explorado com legítima responsabilidade, ética e uso consciente e planejado dos seus recursos. A questão, nesse caso, reside em como respeitar essas diretrizes numa sociedade contemporânea consumista.
Esse consumismo contínuo e exagerado faz parte de um modelo de mercado especulativo que tem como meta o lucro. Isso se agrava ainda mais quando considerada a acirrada competição entre os protagonistas da forma capitalista de enriquecimento, as indústrias e empresas e seus patronos. Ora, a própria relação entre preservação e desenvolvimento é incoerente e não se sustenta porque de fato presume-se que o crescimento exige custos altíssimos justamente sociais, econômicos, culturais e, sobretudo, nos tempos modernos, ambientais. Não é à toa que um dos fatores pelos quais à humanidade sempre buscou o desenvolvimento calcado no princípio de otimização de suas tarefas diárias.
É nessa perspectiva que a insustentabilidade do conceito de desenvolvimento sustentável é confrontado com os costumes de negócios e consumo modernos. Agora, se é possível amenizar os ricos iminentes que ameaçam os recursos naturais e espécies, inclusive a humana, isso sim. Gerir uma relação salutar com o meio ambiente é possível. Isso se legitima no uso consciente de bens renováveis dispostos no ecossistema do nosso planeta. Aderir a esse parâmetro de desenvolvimento irá custar o mesmo esforço gasto na exploração predatória do meio.
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